• Nara Cappellesso

Aprendendo sobre nós mesmos


Grande parte das coisas da nossa vida é a gente que escolhe, traçamos o caminho, estudamos, batalhamos, corremos atrás e nos sentimos capazes e seguros para enfrentar uma prova, um concurso, um trabalho, um relacionamento e por aí vai. Tudo isso acontece até o momento em que você engravida.

Gravidez deveria significar: insegurança, dependência, mergulho no desconhecido, novo, fora de alcance e por aí vai….


A única coisa que pensamos é: “e agora? Como vamos fazer com os planos? Viagens? Trabalho? E agora? Como vamos fazer com a nossa casa, não temos espaço. E agora o que vamos fazer com o tempo? Não temos tempo para ter filhos.”

Depois a ficha cai e você percebe que vai dar tudo certo. Como já me disseram Deus encaminha tudo e não deixa faltar absolutamente nada. Todas as nossas preocupações já estão no controle dele. A vinda de uma criança é cura emocional, um constante aprendizado sobre nós mesmos. Então você se dá conta que foi a melhor coisa que te aconteceu e parece que o coração se acalma…


“Mas vem os primeiros exames, dessa vez não importa se você é milionário, ou se você não tem o que comer. Seu filho pode nascer com falta de saúde e o seu diploma não resolve, a sua influência ou seu super trabalho não são capazes de alterar esse resultado.” Você está preparado? Eu estou preparada? Gravidez é uma caixinha de surpresas, você precisa aprender a desaprender.


Tenho que confessar que eu fiquei mais carente! Coitado do marido! Acho que a gente começa a enxergar o que não é feito em vez de olhar tudo o que eles fazem por nós. Eu senti e sinto falta diariamente de carinho, sabe? Um momento você está bem e no outro chora por causa de uma música que escutou, ou o jeito que falaram com você. É uma loucura esses hormônios, as dores, tudo ao mesmo tempo.


Engraçado, não é mesmo? Eu não escolhi engravidar, aconteceu. Eu não escolhi o sexo do meu bebê também. Eu não moro onde gostaria que meus filhos crescessem, mas vou montar o quartinho de qualquer forma. Eu não sei se vou conseguir amamentar, ou ter o tal do parto humanizado tão sonhado … eu estou aprendendo a desapegar dos meus achismos e aceitar o novo, a surpresa de cada dia, afinal de contas, não sou eu quem determino. O que posso fazer é pedir a Deus que fique tudo bem!


Talvez essa não seja a sua experiência e nada disso passe pela sua cabeça, mas por aqui é um turbilhão de sentimentos. Tem dias ruins onde achamos que nada está certo e tem dias bons com sorriso e despreocupação. Tem dias que me sinto disposta e tem dias que eu quero ficar, comer purê de batata e ler um livro sem sair da cama. Nada disso tem regra!

Um beijo meu e da Laura Lis.



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