• Nara Cappellesso

Mães guerreiras e a realidade da amamentação

Atualizado: 2 de Abr de 2018

Oi mamães! Meu nome é Mayra, moro nos EUA há quase 15 anos e sou mãe de primeira viagem de um bebê lindo e saudável que se chama Zion (se pronuncia Zai-on). Sou amiga de infância da Nara e quando ela me chamou pra escrever pro quadro "de mãe pra mãe", me senti lisonjeada e na verdade meio perdida porque a maternidade é algo muito novo ainda pra mim. Quando a Nara me pediu pra escrever sobre uma dificuldade que enfrentei como mãe, eu quase ri alto porque foram tantas as dificuldades que eu não sabia nem por onde começar. Pensei bastante a respeito e decidi dividir a minha jornada para amamentar o meu filho.

Uma das inúmeras surpresas que a maternidade me trouxe além do amor extravagante, exagerado e avassalador que a gente sente ao segurar nosso filho pela primeira vez, foi a dificuldade para amamentar. Uma coisa que parece tão natural, foi pra mim um verdadeiro desafio. Sabe aquelas revistas que mostram a mãe sorrindo enquanto amamenta seu recém-nascido? Tudo mentira rsrs! Quando uma amiga me descreveu a sensação de amamentar pela primeira vez, como se ela estivesse esfregando os bicos dos seios no asfalto, eu achei que ela estava exagerando mas ela não estava! Amamentar o Zion nas primeiras semanas foi algo extremamente dolorido. Muitas vezes queria expressar minha frustração, mas várias pessoas falavam "ah deixa isso de mão e dá leite artificial logo". Embora elas se preocupassem comigo e queriam o meu melhor, eu não me senti apoiada como eu gostaria. Eu poderia contar nos dedos quem me apoiou nessa fase e foi com a ajuda dessas pessoas, incluindo meu marido, que eu consegui persistir.

A nossa jornada foi longa mais eu faria tudo de novo se necessário. O Zion nasceu miudinho e logo de começo teve dificuldade na pegada principalmente porque o bico dos meus seios eram planos. De início, já tive que usar um bico de silicone e no terceiro dia já sofri uma severa ingurgitação (as mamas ficam duras, cheias de leite empedrado parecendo que vão explodir e o leite não sai). No décimo dia de vida do Zion, fomos tirar fotos de recém-nascido e percebi que algo não estava certo. Fomos no médico no dia seguinte e descobrimos que ele tinha perdido muito peso, que ele não conseguia mamar o suficiente e tivemos que entrar com leite suplementar. Na quarta semana de nascido o Zion já recusava o peito e na verdade gritava e se jogava pra trás quando eu oferecia pra ele. A dor nos seios não se comparava com a dor emocional e a culpa que eu sentia em não poder amamentar meu filho "como todo mundo faz". Por dois meses fui em várias Consultoras em Amamentação, tirava leite na máquina várias vezes ao dia pra manter a minha produção, dava mama quando ele queria e mamadeira também. Eu mal saía de casa porque tinha medo de tentar dar mamar em público e ele dar show... Eu parecia um zumbi porque não dormia bem, nem de dia nem de noite (dormir nunca foi o forte dele), meu dia era, em volta da máquina de tirar leite ou fazendo mamadeiras. O medo dele não estar mamando o suficiente, dele rejeitar o peito pra sempre, de quando ele vomitava, ou ficava irritado enquanto mamava, etc... me deixaram quase louca. Em um dia bem difícil, aonde eu estava prestes a desistir, entrei em um grupo de mães do facebook e desabafei. O apoio que recebi foi imenso! Conheci uma mãe que me disse algo que me tocou bastante e mudou a minha forma de agir. Ela disse "Mayra, ser mãe é escutar seu coração mais do que as opiniões dos outros ou até mesmo as suas próprias vontades. O que seu coração tá dizendo lá no fundo? Que é pra você desistir? Que é pra você tentar novamente? Escute o que ele tem pra dizer e vá por aí." Por dias questionei se eu queria amamentar por mim mesma, pela pressão da sociedade ou se era realmente pelo meu filho. Decidi que era algo que eu queria MUITO pra ele, mas também pra mim. Essa mesma mãe me apresentou uma outra profissional bem popular na área que eu moro e que me ajudou a fazer com que o Zion voltasse a mamar exclusivamente.

Foi uma alegria e orgulho grande que senti quando o Zion com quase 4 meses conseguiu voltar a mamar. Durante esse tempo comecei a aceitar que minha estória como mãe, não é como a das outras e que só porque quero algo, não significa que vai ser do meu jeito. Hoje eu reconheço que ser mãe é se sacrificar, é tentar mil vezes se necessário, é entender que leite artificial é um presente de Deus pra alimentar nossos pequenos quando não é possível amamentar seja qual for a razão. Hoje com 9 meses, o Zion ainda mama e toma leite suplementar pelo menos uma vez ao dia. Temos dias bons e dias ruins mas vamos seguindo em frente porque o mais importante eu já fiz, que foi escutar meu coração.

Se você mamãe, está passando por algo similar, você não está só. Meu conselho é que você faça o que o seu coração mandar. Lá no fundinho você vai escutar o que é o melhor pra você e o seu bebê. Ser mãe é algo incrível, mas muito difícil também. E se você amamenta ou não, você está fazendo um ótimo trabalho!

Um forte abraço de uma mãe pra outra,

Mayra




Texto : mamãe - Mayra Xará

Fotografia: Vanessa Rocha

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